Experiência n. 2

Flávio de Carvalho_Experiência nº 2

Flavio de Carvalho
Experiência n°2: uma possível teoria e uma experiência
São Paulo, Nau, 2001
152 p.
brochura
14 x 21 x 1,2 cm
ISBN: 8585936444

Experiência n°2 é um contundente documento, no qual o autor descreve analiticamente e relata sua experiência diante de uma procissão.
A marcha religiosa entra em contraponto com o autor, que por sua vez, analisa as reações da multidão e descreve suas próprias sensações.
A experiência é noticiada nos jornais em 1931 e, alguns meses depois, lançada em livro, ironicamente dedicado a “S. Santidade e o Papa Pio XI e a S. Eminência Duarte Leopoldo”.

A princípio, Flávio de Carvalho relata o discurso de forma quase poética, tornando-se gradativamente mais ácido e irônico. Ele compara o cortejo religioso a uma parada militar. Nesse paralelo, é possível observar que a religião e o patriotismo funcionam de forma semelhante, sendo as duas coisas mais maleáveis que o homem possui. Ou seja, moldam Deus e a Pátria à sua semelhança.

Suas provocações e o ritmo das reações culminam no climax da história; a multidão explode irada: “Lincha! Pega! Mata!” e o autor se vê no perigo iminente de ser “caçado” pelos fiéis. Suas descrições são impressionantemente reais; o medo, a fuga, o desespero, a alienação.

O livro conta também com uma série de ilustrações do autor que registram plasticamente todo acontecimento.

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Clichês Brasileiros

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Gustavo Piqueira (Sorocaba/SP, 1972)
Clichês Brasileiros
Cotia (SP): Ateliê, 2013
Medidas: 23 x 27 cm
112 p.
Edição: 1ª
Assunto: Tipografia, Ilustração e pintura, Artes gráficas
Encadernação: Brochura
Exemplar nº 443
ISBN: 978-85-7480-643-3

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Utilizando-se apenas de imagens de um antigo catálogo brasileiro de clichês tipográficos (Catálogo de clichés D. Salles Monteiro, publicado em edição fac-similar pela Ateliê Editorial, em 2003), Gustavo Piqueira compõe uma inusitada narrativa visual contemporânea em seu novo livro, Clichês Brasileiros.
Os clichês tipográficos eram matrizes, gravadas em madeira ou metal, utilizadas como complemento figurativo ao conteúdo textual no processo tipográfico de impressão, método dominante na produção de impressos durante quase cinco séculos.
Mas o título do livro não se deve exclusivamente às matrizes usadas para a confecção das ilustrações. A cada virada de página, topamos com outro tipo de clichês brasileiros: dos históricos, como a chegada dos portugueses, a catequização dos índios ou os ciclos do café e do ouro, até clichês do Brasil de hoje, cheio de engarrafamentos, dívidas, condomínios fechados e alienação. Todos retratados com sutil irreverência e grande riqueza gráfica.

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O livro possui capa em lâmina de madeira impressa em serigrafia, fixada com fita adesiva, e tem tiragem única de mil exemplares numerados.

http://www.atelie.com.br/livro/cliches-brasileiros
http://gustavopiqueira.com.br/

Japão

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Thyago Nogueira
Japão
São Paulo, ed. do autor, 2009
23,3 x 15,3 cm
tiragem 500
offset, cor
Desenho da luva: Andrés Sandoval

Colofão: Projeto realizado com apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, Programa Ação Cultural 2008.

Japão é o resultado de uma viagem para Tóquio e Kyoto em 2008. Publicado como um livro de fotografia narrativa, sem introdução ou títulos, a obra retrata um dia na vida japonesa, desde o amanhecer em uma cidade vazia até o jantar depois do trabalho. Poucas imagens mostram os rostos das pessoas. O livro é impresso em papel poroso e contém elementos tradicionais da arte do livro japonesa, como a costura delicada e uma luva feita de papel dobrado.

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Japão/Japan is the result of a 2008 trip to Tokyo and Kyoto. Published as a narrative photography book, with no introductions or titles, the work depicts a day in Japanese life, from morning in an empty city to an after-work dinner. Few images show people’s faces. The book is printed on porous paper and contains elements from traditional Japanese book craft, such as delicate stitching and a folding slipcase.

http://www.thyago.com.br

Um vídeo mostrando o livro: http://www.youtube.com/watch?v=zsmADbM5FNA

Têtes ou Queues

Détail

Christophe Viart
Têtes ou Queues
Rennes, Incertain Sens, 2005
dos carré cousu collé
offset quadrichromie
[93 p.]
21 x 16 cm.
1000 ex.
isbn 2-914291-22-6

O livro é o resultado de trocas em torno de Moby Dick de Herman Melville, realizado pelo autor durante uma residência artística na Biblioteca de Saint Herblain, em 2002.

O livro de Melville – inacabado e inesgotável, resulta em outros livros: os de Christopher Viart, dois dos quais foram publicados pela Incertain Sens e que, ao redor de Moby Dick, tecem infinitas associações em um espaço imaginário de imagens, formas, eventos … Somente através das legendas com as fontes detalhadas podemos acompanhar essas imagens, cujo significado muitas vezes vem das relações que apontam para outras imagens ou outros textos.

 

Têtes ou queues et La Gamme résultent d’échanges autour de Moby Dick de Herman Melville, engagés par l’auteur à l’occasion d’une résidence d’artiste à la Médiathèque de Saint Herblain en 2002.

Le livre, s’il en est, celui de Melville – inachevé et inépuisable, vériste jusqu’à être prophétique, donne lieu à d’autres livres : ceux de Christophe Viart, dont deux sont pour l’instant sortis, qui, autour de Moby Dick, tissent un espace imaginaire d’infinies associations d’images, de formes, d’événements… Seules les légendes qui en précisent les sources accompagnent ces images dont le sens vient souvent des relations qui les lient à d’autres images ou à d’autres textes ; ces associations, il faut les rechercher parfois avec beaucoup de Witz. En effet, de multiples textes les traversent, ceux de Melville bien sûr, mais d’autres également, de même que les images – celle de la baleine en premier lieu ou du Léviathan – fondent la puissance de Moby Dick.

http://www.sites.univ-rennes2.fr/arts-pratiques-poetiques/incertain-sens/

Poemics

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Álvaro de Sá.
Poemics.
Rio de Janeiro :   Ed. do Autor,   1991.
[126] p. :   il. p&b ;
22 x 17 x 1,5 cm.

Impressão em processo eletroestático (reprografia).

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O presente poema de Alvaro de Sá realiza um enunciado. Álvaro escolhe como termo do enunciado o signo de um meio da cultura de massa. E como tal entendemos a diferença de signo ao nível da palavra, pelo fato de ser uma estrutura homóloga a um logotipo, participando assim das virtualidades da linguagem verbal e da linguagem visual, uma vez que escolhe o significante desta na estória em quadrinhos. Se nela o balãozinho tem autonomia significativa, Álvaro faz a poética desta autonomia. O signo possui apenas o significante, quando possibilita uma atualização do enunciado verbal ao enunciado visual.

Ele destaca a mensagem como um processo. Há também que se ressaltar a correspondência entre a parte significante deste signo e o recurso visual utilizado. Isto visa a uma integração do leitor no fazer-se do poema. Escolhe para esta relação icônica um código analógico que possibilita à referida integracão um significante, consumido na relação social cotidiana com tal intensidade enquanto meio, que já fala por si mesmo.

O balãozinho da estória em quadrinhos, a imaginação do diálogo neste significante atende, pois, a dois aspectos. Primeiro, o fato de que iconicamente já se realiza, pela necessidade o uso histórico, uma leitura de seu sistema. No entanto, no interior deste sistema, um índex serve de catalisador dos momentos da narrativa, na medida em que o balãozinho da estória em quadrinho é formalizado como ícone. E também virtualizado num enunciado pela sugestão ótico-semântica indicadora de alternância, que possibilita que se leia um diálogo em andamento. Os próprios termos constituintes desses diálogos são abstrações e extensões dos dialogantes, que se reconhecem numa imagem sólido-formal. Eles são imaginados no interior da fala significante. A própria leitura quantitativa do mesmo indica quem fala e a intensidade da fala, prescrevendo uma curva descendente e posteriormente ascendente, de modo a visualizar a integração do meio e da mensagem enquanto executores do diálogo. No entanto, a repetição, que torna desnecessária a extensão da morfologia, realiza num paradigma esta leitura da semântica da forma; este estar esteticamente situado no mundo, requer a possibilidade de o leitor preenchê-lo semanticamente.

Isto se deve a uma retomada do enunciado textor. E ocorre em relação forma x palavra. Nela, um sistema de enunciados estéticos antecede o verbal enquanto dado semântico, e possibilita na visualização da forma uma transparência da sintaxe desse próprio signo.

A estória em quadrinhos, como forma escolhida, abre toda uma possibilidade de relacionamento semântico com o cinema de animação e com a linguagem da serigrafia, para sermos mais diretos. Ela nos coloca face a um procedimento primordial enquanto produção estética, a depreensão imaginária do real. Traduz, em termos de linguagem, um rompimento com o fato aristotélico e onomaseológico de um termo definir e esgotar um fenômeno. Mostra que, no campo da forma, um termo, um enunciado, leva de encontro aos limites do fenômeno como um processo de comunicação. A comunicação como um se fazer arbitrado, enquanto formas sintáticas, possibilita, visualizada assim, um futuro para a forma poética, mesmo na utopia de uma sociedade tecnológica que venha a abolir o código verbal. Os limites deste fenômeno são os da interpretação do consumidor. O poema é o esqueleto preenchido a cada leitura nova.

Este traduzir o mundo da forma é uma preocupação de espacializar o contexto literário, e neste sentido, sem dúvida, a prática do poema/processo realiza uma discussão válida da execução da arte contemporânea no Brasil. No poema, o fazer-se é uma leitura do processo. A semântica aponta para fora dele, porque o meio que utiliza semanticamente, por ser bastante consumido, permite que seja preenchido pelo universo imaginário do leitor. Só que neste preenchimento ele oferta o referente ao leitor no processo de criação do poema. (Mendonça, Antonio Sérgio. “Poema/Processo”. Poesia de Vanguarda no Brasil, Petrópolis: Vozes, 1970)

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Geometric Figures & Color

lewitt00103Sol LeWitt
Geometric Figures & Color
New York, NY : Harry N. Abrams, Incorporated, 1979
21 x 21 cm.
ISBN 0-8109-0953-7

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Um programa simples apresenta, desde a folha de rosto, um “círculo, quadrado, triângulo, retângulo, trapézio e paralelogramo em vermelho, amarelo e azul em vermelho, amarelo e azul.” Um bom exemplo da natureza sistemática de LeWitt encontrado em todas as suas obras.

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A simple program utilizing, from the colophon, a “circle, square, triangle, rectangle, trapezoid and parallelogram in red, yellow and blue on red, yellow and blue.” A very good example of LeWitt’s systematic progressive nature found in all his works.  lewitt00101

lewitt00102Imagem da contracapa do livro, que funciona como um sumário mostrando uma miniatura de cada página.

Histórias de igrejas destruídas

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Eduardo Verderame (Eduardo Brigagão Verderame)  1971     São Paulo
Histórias de igrejas destruídas
São Paulo, Editora Hedra, Selo Cachalote, 2010
ISBN: 9788577151905
IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura
FORMATO: 22 x 20
PÁGINAS: 60
texto e ilustrações Eduardo Verderame

texto de apresentação Érica Zíngano

História de igrejas destruídas compreende uma pequena coleção de desenhos e histórias sobre igrejas brasileiras destruídas. Os motivos e as razões que provocaram essas destruições variam desde incêndios ou guerras, até mesmo reformas ou simplesmente o descaso.

Algumas dessas igrejas existem ainda hoje, reconstruídas e restauradas, outras tantas não tiveram a mesma sorte. Por vezes, o autor desenha a aparência atual, por vezes, a aparência anterior. Sua idéia foi fornecer um pequeno histórico ou contexto sobre as igrejas, sempre acompanhados de alguma imagem, retratando seu aspecto arquitetônico original, desenhadas, na maioria das vezes, a partir de alguma foto, e quando possível, de uma visita às suas ruínas.

O livro reúne material sobre igrejas localizadas nas principais cidades e vilas coloniais brasileiras, no território que hoje abarca os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Bahia, Goiás, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará. Além disso, foram incluídas igrejas de Macau e das Missões Jesuítas no Paraguai, de Macau, por ter feito parte do Império Português na China e dividir características arquitetônicas com diversas igrejas brasileiras, das Missões, por terem sido incorporadas ao território brasileiro.

arquitetura; ruínas; igrejas do período colonial; desenho

Sweethearts

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Diana Michener   (1940,   Boston, EUA)
Sweethearts
Göttingen, Hatje Cantz, 2009
ISBN 13 – 9783865217134

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Adopting the form of a flip book, Sweethearts presents a sequence of film stills which segue through a series of theatrical moments set on a domestic stage. The actors appear in banal moments of daily life and animated moments of conflict to offer an intimate exploration of the vagaries of love and life.

“This work in another form was shown at The New York Film Festival in 1982. It still remains, for me, a study in indecision. The Sweethearts are emblematic of that thing that can exist between couples, when one can not assume the persona of the other.”

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argumentstellen
herman de vries
Rennes, Incertain Sens, 2003
[48] p.
brochura
offset noir & blanc
29,7 x 21 cm.
1250 exemplaires
isbn 2-914291-17-5
Coédition avec le Fonds régional d’art contemporain, Rennes.

recto

Dans ce projet datant de 1968, herman de vries se réfère au Tractatus logico-philosophicus de Wittgenstein, et c’est la façon dont il le fait – surprenante et amusante – qui fonde l’idée de ce livre.
argumentstellen confronte l’expression quelque peu énigmatique du Tractatus au sens tangible des références que le discours wittgensteinien met en scène, à l’imaginaire qu’il mobilise. C’est ce travail du concret et du tangible, aussi ” minimaliste ” soit-il, qui met le lecteur sur la voie de la recherche du sens de l’énigme. ” Avant de philosopher, il faut vivre “, dit Henri Bergson.
Dans la simplicité stupéfiante de son approche, le livre de de vries propose une piste nouvelle et originale pour relire Wittgenstein, et peut-être aussi pour confronter l’art à la pensée philosophique en général.

Ainsi, les 48 pages de ce livre affichent chacune un seul point, distribué dans l’espace vide de la page, preuve que “l’objet spatial doit se trouver dans un espace infini / le point spatial est une place pour un argument.”

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