{"id":1814,"date":"2014-03-24T10:21:13","date_gmt":"2014-03-24T10:21:13","guid":{"rendered":"http:\/\/colecaolivrodeartista.wordpress.com\/?p=1814"},"modified":"2014-03-24T10:21:13","modified_gmt":"2014-03-24T10:21:13","slug":"agrafica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colecaolivrodeartista.eba.ufmg.br\/?p=1814","title":{"rendered":"Agr\u00e1fica"},"content":{"rendered":"<div>O editor Gilberto Jos\u00e9 Jorge doou um exemplar do \u00e1lbum Agr\u00e1fica, reunindo poemas visuais e caligrafias e impresso em serigrafia por Omar Guedes.\u00a0 Abaixo, transcrevemos uma resenha feita pelo poeta Ademir Assun\u00e7\u00e3o na \u00e9poca do lan\u00e7amento, em 1987.<\/div>\n<div><\/div>\n<blockquote><p>Quando o obstetra Edgard Braga lan\u00e7ou seus primeiros &#8220;poemas caligr\u00e1ficos&#8221;, houve um estrondoso sil\u00eancio. \u00c9 prov\u00e1vel que, ainda hoje, cr\u00edticos acad\u00eamicos considerem seus garranchos como meros devaneios de um velho gag\u00e1. Tamb\u00e9m foram poucos os poetas que perceberam nos livros Tatuagens (1976) e Murograma (1982) a recupera\u00e7\u00e3o de uma antiga pr\u00e1tica da humanidade: a caligrafia. Enquanto a poesia concreta explorava a dimens\u00e3o visual da linguagem po\u00e9tica com recursos industriais (filmletras, letra-set etc.), Braga ajudou a implodir a sintaxe tradicional, pela via oposta. Ele n\u00e3o \u00e9 o pioneiro no exerc\u00edcio da caligrafia, como elemento po\u00e9tico. Mas \u00e9 o &#8220;franco inspirador&#8221; do \u00e1lbum AGR\u00c1FICA, editado por Gilberto Jos\u00e9 Jorge, que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado hoje, \u00e0s 20 horas, no Pa\u00e7o das Artes (av. Europa, 158).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o posso dizer que todos os artistas que participam do \u00e1lbum \u2014 um total de 20 \u2014 tenham influ\u00eancias diretas de Edgard Braga. Mas a id\u00e9ia de fazer um trabalho dessa natureza come\u00e7ou a esquentar na minha cabe\u00e7a depois que vi uma exposi\u00e7\u00e3o com poemas dele, no Centro Cultural, em novembro de 84, alguns meses antes de sua morte&#8221;, diz Gilberto. Se a linguagem de cada um dos artistas trafega por vias m\u00faltiplas, pelo menos um ponto de conflu\u00eancia existe: o revide \u00e0 camisa-de-for\u00e7a da linguagem tradicional, com uma imanta\u00e7\u00e3o entre a poesia, as artes pl\u00e1sticas e o desenho pessoal, intransfer\u00edvel. O processo serigr\u00e1fico, comandado por Omar Guedes, propaga tamb\u00e9m o ru\u00eddo da produ\u00e7\u00e3o artesanal num ambiente hiperindustrializado.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e1lbum \u00e9 quase totalmente feito \u00e0 m\u00e3o. O fato de ser um produto de artesanato, num contexto p\u00f3s-industrial, pesa como um im\u00adportante fator de linguagem. Al\u00e9m disso, a escrita \u00e0 m\u00e3o quebra todo um costume ocidental de leitura. Ela \u00e9 muito provocativa&#8221;, cutuca Gil\u00adberto, remetendo-se aos estudos de Ezra Pound \u2014 via o fil\u00f3logo Ernest Fenolosa \u2014 sobre o ideograma chin\u00eas. Para o oriental, o exerc\u00edcio da caligrafia \u00e9 uma arte maior e milenar. A pr\u00f3pria escrita chinesa joga com lances de semelhan\u00e7a com o objeto que procura representar, buscando sua ess\u00eancia em m\u00ednimos tra\u00e7os. &#8220;Uma vez que n\u00e3o existe na China uma n\u00edtida diferencia\u00e7\u00e3o entre pintura, caligrafia e poesia, o poeta \u00e9 mui\u00adtas vezes cal\u00edgrafo e pintor&#8221;, esclarece o italiano Girolano Mancuso, citado no livro <em>Ideograma<\/em>, de Haroldo de Campos. O Ocidente \u00e9 que sepa\u00adrou e complicou tudo.<\/p>\n<p>No \u00e1lbum AGR\u00c1FICA, a dissolu\u00e7\u00e3o das fronteiras entre a poesia e a pintura \u00e9 tocada a sutis pinceladas e caligrafias multiformes. O cineasta J\u00falio Bressane entra com um &#8220;quase pictograma&#8221; do Rio de Janeiro: na palavra RIO, em fundo azul, est\u00e1 embutido o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. D\u00e9cio Pignatari psicografa Oswald de Andrade. Gilberto Jos\u00e9 Jorge, tamb\u00e9m. O artista pl\u00e1stico Aguillar, cujos trabalhos normalmente s\u00e3o supercoloridos, surpreende com um caligrama em preto e branco. G\u00f4 \u2014 tamb\u00e9m artista pl\u00e1stica, poeta, compositora e letrista \u2014 tra\u00e7a gestuais que tendem talvez a simbologias m\u00e1gicas. S\u00e3o apenas alguns exemplos. No \u00e1lbum est\u00e3o reuni\u00addos ainda: \u00c2ngelo Marzano, Arnaldo Antunes, Betty Leirner, Edgard Braga, F\u00e1bio Moreira Leite, Jos\u00e9 Guilherme, Julio Plaza, Mariana Pabst Martins, Leon Ferrari, Marsicano, Renato Lel\u00e9 Maia, Salvador Martins, Silvana Lacreta, Tadeu Jungle e Walt. B. Blackberry.<\/p>\n<p>&#8220;A caligrafia quebra a sintaxe do poema. Apesar de ser uma pr\u00e1tica bem antiga, \u00e9 uma forma nova do fazer po\u00e9tico. E ainda recupera um aspecto m\u00e1gico da escrita. H\u00e1 trabalhos que, se fossem feitos em off-set, perderiam esse significado m\u00e1gico. E a\u00ed entra tamb\u00e9m a impor\u00adtante contribui\u00e7\u00e3o da serigrafia&#8221;, afirma Gilber\u00adto, lamentando as fatais incompreens\u00f5es.<\/p>\n<p>Ademir Assun\u00e7\u00e3o<br \/>\nCaderno 2 &#8211; Estad\u00e3o, 02 de julho de 1987<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O editor Gilberto Jos\u00e9 Jorge doou um exemplar do \u00e1lbum Agr\u00e1fica, reunindo poemas visuais e caligrafias e impresso em serigrafia por Omar Guedes.\u00a0 Abaixo, transcrevemos uma resenha feita pelo poeta Ademir Assun\u00e7\u00e3o na \u00e9poca do lan\u00e7amento, em 1987. 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